Como âncoras emocionais podem ser muito incríveis

Você já sentiu como se estivesse em um mini flashback de alguma época especial da sua vida ao sentir um determinado cheiro? Aquele perfume que imediatamente te transporta pra perto de alguém importante?

Vou confessar uma coisa, mas eu te peço pra esperar até o final do post antes de me chamar de maluca, combinado? Pois então… toda vez que eu sinto cheiro de catinguinha de sarna de cachorro me aquece o coração de tal modo que eu viajo imediatamente pra um momento muito, muito especial.

Estranho, eu sei. Quando a Pandora chegou na minha vida ela tinha apenas alguns chumaços de pelo nas orelhinhas e o restante do corpo tomado pela sarna demodécica, como você pode ver nessa fotinho aqui abaixo.

Foi amor à primeira vista, era impossível não amar aquela criaturinha esquisita e fedorenta. Eu passava escovinha de nenê por horas pra aliviar a coceira dela e não machucar ainda mais as feridas, dava três banhos por semana com shampoo especial e comemorava emocionada cada novo tufinho de pelo que nascia.

Em apenas um mês o meu saquinho fedorento de catinga de sarna virou a almofada felpuda mais lindinha e rabugenta do mundo. O meu amor fez o pelo da Pandora crescer em tempo recorde! Talvez eu não possa comprovar cientificamente o feito, mas a minha convicção inabalável impede que qualquer um tente discutir isso comigo.

O fato é que é impossível eu sentir cheiro de sarna de cachorro e não lembrar da Pandora e do quanto ela é importante pra mim. Esse cheiro é uma âncora que me permite acessar aquele momento e reviver a experiência emocional.

Quando essa ancoragem nos leva pra um momento incrivelmente feliz é tudo lindo e maravilhoso, mas fica bem diferente quando aportamos em emoções mais densas e turbulentas. E isso acontece com bastante frequência, basta reparar.

Um gesto que alguém faz durante uma conversa, um conjunto de palavras, uma música, um objeto. Em milésimos de segundo somos transportados pra uma experiência emocional dolorosa onde podemos ter sido desacreditados, humilhados e maltratados. Uma pedra pinicante e incomodativa que mora no nosso sapato foi cutucada com sucesso. E dói. Tudo de novo.

Por isso é tão importante olharmos compassivamente pra nossa coleção particular de pedras e buscar ressignificar a relação com essas tinhosas e desagradáveis companheiras. E se nós pudéssemos usá-las pra construir um caminho mais saudável pra nós mesmos? Ao invés de ficarmos à deriva no mar das emoções, ancorando esporadicamente em portos dolorosos, podemos escolher amorosamente asas mágicas que nos libertam.

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